terça-feira, 19 de novembro de 2013

Doce Fascinio

Cristina passou a palma de sua mão pela capa dura e rígida do novo livro. Em letras grandes, o livro anunciava “Doce fascínio”. Estranhou, ela não havia solicitado nenhum livro novo. O que era mais estranho ainda era remetente desconhecido.
Dando de ombros, a mulher apenas levou o livro consigo para a entrada de sua casa. Pensou bastante e decidiu devolvê-lo para o correio no dia seguinte, avisando que o livro não pertencia à ela. Alguém poderia estar esperando por ele.
Em sua sala, sentada em sua confortável poltrona, não conseguia se concentrar em sua televisão. O livro, que estava em sua mesa de centro, parecia a chamar. Um estranho sentimento percorreu a espinha de Cristina, fazendo-a tremer e se enfraquecer. Vencida pela curiosidade, retornou a pegá-lo e na mesma velocidade, o abriu. O que viu era fascinante! Um manuscrito em letras redondas e provavelmente velhas. Sem perder tempo, apressou-se a ler.

Já era tarde da noite, mesmo assim, Cristina parecida enfeitiçada pelo livro. Já faziam mais de 5 horas que estava lendo sem uma única parada.
A história falava de um amor obsessivo, possessivo e cheio de fanatismo. O personagem, apenas ditado como “Charlie” havia de se apaixonar por uma alma perdida. Uma bondosa mulher que o rejeitava e agora estava morta. Agora, ela só existia em seus pensamentos. Depois de tanta melancolia, Charlie finalmente se suicida em sua própria casa, em uma madrugada silenciosa e vai a procura de sua amada.
Era isso. Isso era o fim. Decepcionada, virou-se a ultima página e nela havia escrito ” Autor: Charlie Alexander”, datado de 1860.
Tremendo, ela foi inundada e logo se presumiu. Charlie existia, pelo menos, era o que estava escrito ali. Ela precisa de mais livros, ela precisava se satisfazer, precisava satisfazer sua leitura.
Possuída pela obstinação, passou meses e meses procurando e pesquisando por algo que poderia ajudá-la a encontrar qualquer coisa sobre esse autor. Mas, infelizmente, não encontrou nada. Cristina estava perdendo as esperanças, quando perdeu a pouca insanidade que já tinha. Decidiu procurar por alguém que lhe ajudaria a entrar em contato com o próprio.
[...]
- Você o encontrou?- Perguntou , ainda com suas mãos dadas, para a mulher em sua frente.- Me diga.
A mulher apenas a respondeu revirando os olhos e se batendo fortemente.
- Meu amor, Charlie, é você?- A obsessão já havia a perdido.
Você estava errada em fazer isso. Você me tirou da busca, sua insolente! Irá pagar!- A coisa gritou, bravamente. Se atirou em cima de Cristina e foi-se.
[...]
- Ele está chegando!- Gritou Cristina, rindo como uma maniaca. Estava em grande nostalgia.- Ele está vindo me buscar.
Se abaixou em um dos cantos de seu quarto, que agora estava sem vida, e olhou no espelho que a dava sua visão de trás.
Uma enorme sombra pairava em sua porta. Aqueles olhos… A olhavam com tanto gosto. A sombra apenas sorriu. Um sorriso irônico, vindo das trevas. Encantada, a mulher apenas a olhou rindo escandalosamente. Estava louca e não poderia evitar.
Venha para mim.- A voz disse em seu pensamento, enquanto se aproximava da sua forca. Fortificando o sentimento de posse, posicionou a corda em seu pescoço.
Faça-o.- Voltou a lhe dizer.- Agora.
Cristina chorou, mas manteve seu sorriso, enquanto tirava lentamente seu apoio e ia se enforcando levemente. Repetia freneticamente.
- Não se preocupe, vamos ficar juntos agora. Para todo o sempre.

 Autora: Caroline Tiemi.

Nenhum comentário: